terça-feira, 31 de março de 2009

Earthhour

Estava agora há pouco lendo o delicioso blog da Lucia, o Uma malla pelo mundo, quando encontrei uma postagem (esta aqui) comentando a hora do planeta.

Concordo com a Lucia que, de fato, não dá assumir o ato de apagar as luzes por uma única hora em um único dia do ano como uma "atitude apaziguadora" de hábitos pouco atentos à necessidade de cuidado com o meio ambiente.

Ontem mesmo eu assistia ao CQC e eles exibiam uma matéria sobre este ato no Rio de Janeiro. O prefeito do Rio, acompanhado do Ministro do Meio ambiente (aliás, qual dos dois é mais figura, heim?), estavam com o discurso afiado, na ponta da língua, mas eram incapazes de abrir mão do uso de elevador para se deslocar de um andar para outro. Ou seja...

Mas não deixo de me encantar com a possibilidade de que um pequeno gesto simbólico como este possa, efetivamente, mobilizar um grande número de pessoas. Pequenas atitudes têm capacidade transformadora. Não porque sejam capazes de "conscientizar" alguém sobre algo - ando com ódio desta palavra, "conscientização". Mas porque, como experiência, podem eventualmente ser incorporados à prática cotidiana.

Assim seja.

Um pouco sobre Marketing e pesquisa


O PROCON de São Paulo está organizando um cadastro de pessoas que desejam bloquear seus números de telefone para recebimento de ligações de empresas de telemarketing. Segundo a notícia publicada hoje na Folha, desde sexta-feira mais de 24 mil usuários se cadastraram. Incluo-me nesta estatística.

Empresários do setor argumentam que o número de empregos na área de telemarketing deverá cair. Não deveria, já que esta medida chega justamente no momento em que diversas empresas estão – ou deveriam estar – submetidas a novas regras para atendimento aos clientes, dentre elas, a redução do tempo de espera pelo atendimento. Como bem sabemos, o atendimento a esta norma ainda não foi completamente implementado, o que me faz pensar que há, sim, necessidade de ampliar o número de vagas nos SAC´s. Ademais, em nome do emprego destes funcionários não dá para sustentar que é necessário interromper o sono de alguém, certo?

Uma coisa que ninguém comenta ao tratar deste assunto é a regulamentação das pesquisas por telefone, muitas vezes confundidas – não por acaso – com oferta de produtos. Muitas ações de venda de produtos ou serviços abordam o potencial cliente dizendo tratar-se de uma pesquisa, assim como muitos golpes são aplicados usando esta mesma justificativa. Consequentemente, quem atende a ligação desconfia das intenções do pesquisador e logo desliga. São necessárias, em média, de três a cinco tentativas para a realização de uma pesquisa com êxito. Aumenta-se, assim, tempo e custo da pesquisa.

Quer nas ações de “marketing ativo”, quer nas pesquisas, há também dois problemas intrinsecamente relacionados, ambos quase insolúveis: um deles diz respeito ao treinamento dos atendentes e outro, às demandas dos profissionais do Departamento de Marketing.

Ao se desenhar um projeto, seja ele de venda ou de pesquisa, é muito frequente que os scripts que serão repetidos pelos teleatendentes sejam absolutamente incompreensíveis a quem está do outro lado da linha. Na ação de venda, a leitura deste texto padronizado certamente não importuna apenas a nós, ouvintes, como deve aborrecer horrores aqueles que são obrigados a repetir a fórmula sei lá eu quantas vezes no seu turno. A pouca margem de criatividade, se por um lado freia os ânimos dos vendedores mais afoitos, por outro é um impeditivo à própria ação de venda por telefone que, por definição, demanda alta habilidade de comunicação. No caso da pesquisa por telefone, qualquer fuga ao script pode induzir respostas e, neste caso, compromete os resultados finais do projeto.

Enfim, acho que ainda há muito o que se discutir sobre o assunto. Mas me parece que a ação do PROCON é um avanço significativo no sentido de evitar alguns abusos contra o consumidor.

O site do PROCON São Paulo é http://www.procon.sp.gov.br/.

segunda-feira, 30 de março de 2009

De volta ao mundo


Enfim o problema da internet foi resolvido. No sábado recebi duas ligações da Telefônica, uma delas agendando a visita de um técnico para o domingo. “Tudo bem, tudo bem” pensei. Íamos mesmo permanecer em casa o dia todo, pois aguardávamos a visita de uma amiga que viria almoçar conosco. A visita do tal técnico não seria um grande inconveniente, portanto.

Domingo pela manhã toca o telefone. Maridão atende e do outro lado da linha alguém pergunta: “E aí cara, qual é o problema?”. Aff! Isso lá é maneira de se apresentar e se prontificar a resolver a questão? Bom, maridão explicou que já fazia uma semana que estávamos sem conexão, etc. e tal. O funcionário pouco tempo depois encerrou a ligação, prometendo solucionar o problema.

Uma hora depois, ou mais, o telefone começou a tocar repetidas vezes. A cada atendimento, acontecia algo diferente: sinal de ocupado, telefone mudo, sinal de chamada em andamento... “Vixe, ferrou de vez!”, eu pensei. Algum tempo depois o rapaz ligou novamente e tcharam, eis que a conexão foi novamente habilitada. Insisti para saber qual tinha sido a origem do problema, ao que ele me respondeu: “ah, foi aqui na central”. Ou seja: demorou uma semana para que a Telefônica resolvesse o problema, sendo que para isso bastava realizar um procedimento aparentemente muito simples, que não exigia visita no local nem nada.

Bem, chega de lamúrias. Ontem passamos um dia agradabilíssimo em nossa casa toda limpinha cheirando a tinta (limpinha não significa organizada, certo?), na companhia de uma amiga querida. E hoje passei a manhã toda pondo a leitura em dia. Desta andança pela blogosfera li muita coisa bacana e gostaria de compartilhar neste espaço algumas delas.

Estou longe de ser uma exímia fotógrafa, mas bem que gosto de registrar uma coisinha aqui e ali. E gostaria imensamente de ter mais disciplina e cuidar das fotos com mais carinho. Não entendo nada de scrapbook, muito menos scrapbook digital, mas tenho bastante vontade de aprender mais a respeito, pois parece bem divertido. Daí que hoje eu li no blog Coisas para meninas (aqui) um post com dicas sobre o assunto. Legal!

No Coisas que gosto (aqui) li a indicação do flickr de Juliana Goes, que faz ilustrações muito fofas. Pretendo passear por lá mais vezes! A ilustração do post de hoje é dela.

No blog da Lúcia, o Lucia in the sky encontrei um post animado sobre alongamento. Útil e divertido. Confira aqui.

O Chocolatria sempre surpreende com receitas divinas. A receita publicada (aqui), além de ser uma delícia – cupcake de cenoura com cobertura de chocolate! – traz, por assim dizer, uma pequena crônica sobre o encanto que os ovos de páscoa exercem sobre as crianças (inclusive sobre aquelas que felizmente ainda habitam em nossos corpos adultos). E, como se não bastasse isso, mostra que com alguma criatividade para produzir embalagem, é possível tornar o singelo mimo em um presente muito bonito e original.

As meninas do Vende na farmácia fizeram recentemente uma sacolada na região central de São Paulo. Já anotei o roteiro e, inclusive, as dicas de lugares legais para fazer refeições e lanches a preços mais camaradas (está aqui). No mesmo embalo, vale conferir o roteiro que o pessoal da Oficina do Estilo está montando sobre o Bom Retiro (aqui).

Por fim, mas não menos importante, cabe inspirar-se na Nana, do Manga com Pimenta, e aproveitar as dicas (aqui) para fazer nesta semana (no meu caso, pós pintura) uma faxina decente no apartamento. Aliás, ao longo da semana pretendo publicar algo sobre o resultado final da pintura.

Enjoy!

Mudando de assunto. E vocês, aderiram à Hora do Planeta no sábado? Aqui em casa, aderimos.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Ainda off line!


Humpf.

Continuo sem acesso à internet banda larga. Na última terça-feira expirou o prazo de 48 horas para verificação do problema com a conexão. Nada foi resolvido. Liguei novamente para a Telefônica, à noite, efetuando nova reclamação. Fui informada que um técnico iria aparecer aqui em casa no (novo) prazo de 48 horas a fim de verificar a linha telefônica (a qual, diga-se de passagem, tem funcionado às mil maravilhas...). Apenas ontem de manhã um técnico ligou avisando que iria aparecer em horário comercial. Ao longo do dia não recebemos nenhum comunicado sobre a visita: nenhum telefonema, nenhum documento, nada. Que atendimento é este que não informa nada a respeito?

Hoje, pouco tempo depois de acordar, estava eu ligando novamente para a Telefônica. Pelo menos hoje eu não fiquei esperando cinco minutos para ser atendida, sendo obrigada a ouvir uma música insuportável no tempo de espera. Alguém sabe quem é o infeliz que escolhe as músicas de espera? Informe institucional eu até tolero, sabe, mas isto de tocar musiquinha feliz a la Beatles achando que vai acalmar quem está com problemas é o fim!

Bem, hoje eu descobri que sim, o técnico esteve verificando a linha aqui de casa. E que a Telefônica simplesmente ignorou a reclamação feita pelo maridão no domingo. Consideraram apenas meu telefonema na terça. E segundo seus próprios protocolos é desta data que passa a vigorar o prazo de 72 horas para solução do problema. Ou seja, até hoje. E aquele prazo de 48 horas dito anteriormente? Ah! Isso valia apenas para a visita do técnico, não para a solução definitiva do problema...

Sim, eu já pensei em dar uma banana para a Telefônica e migrar para a NET. Mas descobri que durante a reforma que a antiga proprietária fez no apartamento a passagem dos cabos foi obstruída. Para resolver isto só quebrando a parede. E eu nunca me animei muito com a idéia, tanto é que abortamos há muito a idéia de assinar qualquer pacote super ultra mega barato de TV a cabo por conta desta impossibilidade “técnica”, digamos assim.

O fato é que estou sem acesso regular à internet já há quase duas semanas – contando com o período em que estava viajando. Sinto-me na pré-história! E pensar que há exatos dez anos atrás – lembram-se deste tempo? – acessar internet discada era um luxo e tanto. Pela primeira vez eu tinha telefone fixo em minha casa. Durante anos a linha de telefone custou uma fortuna e a lista de espera por um número foi imensa; só no final dos anos 1990 é que o acesso ao telefone tornou-se mais democrático. E, não curiosamente, telefone e internet chegaram juntos a minha residência. Desde então – e cada vez mais – uso e abuso dos recursos da rede e daí que ficar sem acesso estável e rápido é tão sofrido. Bem, só resta aguardar o fim desta novela mexicana (mal dublada!).

O que, de modo algum, tem sido desagrável é o trabalho do seo Nonato aqui em casa. OK, ele sempre pergunta se estaremos acordados às nove horas e ele invariavelmente chega por volta das onze, quando não às doze. Mas isto nem é tão ruim assim, pois dá mais tempo para acordar de modo sossegado e organizar as coisas da casa com mais calma (e em virtude da pintura anda tudo tão bagunçado aqui, ninguém faz ideia de quanto).

E ele trabalha super bem. Vi pouquíssimos respingos de tinta. Isso que ele praticamente não forra o chão. Fita crepe para proteger portas, janelas e rodapés? Nem pensar. Ele vai lá com a maior calma do mundo e pinta tudo bem direitinho, sem borrar. Amei! Mesmo porque onde euzinha havia colocado fita só rolou meleca. Ao tirar a fita não raras vezes a cola impregnou de tal modo que das duas, uma: ou a parede ficou manchada com a cola ou a fita arrancou lascas da parede. Pode? Pois é, pode. Por isso, de agora em diante meu mantra é: Cuidado com a fita crepe! Cuidado com a fita crepe!

Até agora seo Nonato pintou a cozinha, a micro lavanderia, o corredor e o quarto, incluindo aí paredes e teto. Neste momento ele está dando um jeito na sala. Em pleno sabadão ele deverá vir pintar o teto de meu escritório e pintar as esquadrias das janelas. Talvez conclua o restante do serviço (mural de recados na cozinha, rodapés do quarto, banheiro social), até amanhã não sei ainda. Depois vou publicar algumas fotos mostrando o resultado final (com a internet discada não dá!). Mas posso adiantar que estou bem feliz com o resultado parcial do serviço.

Demorou, mas está valendo muito a pena. Que isto valha também para internet.

terça-feira, 24 de março de 2009

Prazos

Desde sábado a banda larga não funciona.

Primeiramente achei que poderia ser um problema temporário – há não muito tempo uma central de dados da Telefônica teve um princípio de incêndio e serviço do speedy parou de funcionar por algumas horas. Mas não.

No domingo meu marido ligou para a Telefônica e eles deram o prazo de 48 horas para um técnico entrar em contato conosco. Logo mais este prazo se esgota sem ter havido contato, muito menos a solução do problema. Ódio!

Justamente agora, que eu queria por as leituras da blogosfera em dia, agradecer as novas visitas, responder recados e acompanhar as últimas notícias... Com internet discada definitivamente não rola. A conexão é muito lenta. Portanto, queridos(as) leitores(as), só me resta ter paciência e postergar a comunicação.

Seo Nonato também prometeu passar aqui entre 9:00 h e 9:30 h para começar o serviço de pintura (e concluir alguns outros reparos que maridão se esqueceu de solicitar). Já passou das dez e nada. Ainda me resta uma esperança que ele apareça no período da manhã. O ruim disso tudo é ter que ficar “chocando” em casa; eu preciso ir até a USP pegar a fotocópia do texto que será discutido na quinta-feira e enquanto Seo Nonato não chega, não posso sair.

Alguém ter pó de pir-lim-pim-pim para resolver estas pendências?

domingo, 22 de março de 2009

Blog, aqui me tens de regresso

Voltei.

A semana foi bastante agitada. Atividades no três períodos, começando às 08:00 h e terminando às 21:00 h, com intervalos apenas para as refeições. Aulas teóricas, tarefas em grupo e atividades práticas ocuparam as aproximadamente cinquenta pessoas que participaram do curso sobre desenvolvimento comunitário sob a ótica cristã.

Foi bastante produtivo acompanhar este treinamento. Sai de Araçariguama exaurida, mas bastante animada; estou convicta de que a análise de tais atividades constituirá um grande desafio, porém já antecipo que a observação e a participação neste evento foram verdadeiramente cruciais para o desenvolvimento da tese. Pude esclarecer algumas dúvidas e elaborar uma nova série de perguntas a ser respondida; pude acompanhar um processo muito especial de transmissão de uma abordagem bastante inovadora sobre a prática da ação social, bem como perceber inúmeras dificuldades inerentes a este processo. Super bom!

Foi uma semana de imersão total no curso. Não acompanhei as notícias, não acessei a internet uma única vez. Para quem tem o ritual diário de ler jornal, checar e-mails, visitar blogs, espiar orkut e assistir ao menos a um telejornal e outro programinha (Metrópolis, diariamente, na TV Cultura; Top Top, às quartas, na MTV e desde quinze dias atrás a versão SBT do Esquadrão da Moda, às terças) trata-se, mesmo, de uma enorme alteração da rotina. Mas confesso que só fui sentir falta disso tudo no final da semana; antes nem deu tempo para isso, sabia?

E quando voltei, já viu: tinha minhas caixas de mensagens abarrotadas – sobretudo de propagandas inúteis e das mensagens de listas de discussão que eu assino. Felizmente nada de urgente. Bem, e se tivesse alguma coisa urgente, seria difícil de resolver, pois estou me sentindo um bagaço (além da conexão com a internet estar irregular desde ontem). Tanto que nem vou poder dar um oi para a Marivone que está de passagem por Sampa (sorry!), não vou ao chábar de um amigo querido (sorry!), enfim, não sinto outra vontade a não ser ficar de pijama assistindo qualquer bobagem na TV durante todo o final de semana.

E a semana que começa também será bem puxada: na quinta-feira terei reunião do grupo de estudos e, no mesmo dia, reunião com a algumas pessoas do grupo que pesquiso. Até lá preciso ler e resenhar alguns textos, que não são dos mais simples. Na sexta-feira tem palestra na USP e embora eu não esteja morrendo de interesse pelo tema da palestra e, pior, considere o palestrante um cara muito convencido e chato, a atividade é obrigatória para bolsitas. E como sou bolsista, lá vamos nós...

Além disso, na minha ausência, maridão convocou Seo Nonato, que apareceu aqui nesta última quinta-feira. Ele arrumou algumas coisinhas relacionadas à elétrica e acertou os detalhes da pintura. Começa o serviço na próxima terça-feira. Se, por um lado, isto é uma ultra mega blaster notícia, por outro, concentrar-se na leitura e na redação do relatório sobre as atividades acompanhadas nestes cinco dias de curso com seo Nonato pintando as paredes não será das tarefas mais fáceis. Mas, já que não tem outro jeito, vamos em frente.

E vocês, o que me contam sobre a semana que acabou? E quais os planos para a que começa?

quarta-feira, 18 de março de 2009

Pequenos gestos que valem muito

Uma escolha que a princípio parece pequena
pode ajudar a preservar o planeta.
O consumo consciente é ainda
mais importante que a reciclagem.

Além de o processo de reciclagem ser mais simples, o plástico não se decompõe no meio ambiente, diferentemente da lata de ferro.


Ambos podem ser reciclados diversas vezes.
Enquanto a lata é mais facilmente reaproveitada,
o vidro tem maior durabilidade.

O plástico pode ser reciclado, ainda que usado para outro fim;
o Tetra Pak se transforma em produtos de menor valor.

Apesar de o papel ser biodegradável
(leva três a seis meses para se decompor),
a maioria das lojas não utiliza matéria-prima
reciclada na confecção de suas sacolas.

Texto e imagem: revista Criativa,
edição de janeiro de 2009.

domingo, 15 de março de 2009

Um ponto vermelho no mapa de São Paulo

Tá vendo o ponto vermelho no mapa? É a cidade de Araçariguama.

Sigo para lá neste último domingo e regresso apenas no próximo final de semana. Vou participar de um curso sobre desenvolvimento comunitário, algo que é secundariamente abordado em minha tese. Então sigo com o objetivo de entender como se aplica este conceito na prática cotidiana de igrejas de orientação protestante. Acho que vai ser muito produtivo.

Mas nem por isso deixo de sentir um baita frio na barriga.

Quando as pessoas ouvem a palavra "antropólogo" ou se lembram imediatamente da imagem do destemido Harrison Ford no papel de Indiana Jones (gente, desculpe informar, mas ele era arqueólogo e não antropólogo!) ou imaginam um sujeito esquisitão, meio bicho grilo, vivendo entre índios. Não sou nenhuma coisa nem outra.

Mas sigo alguns cânones de minha profissão iniciada com o questionamento sobre a diferença. Dentre eles, a necessidade absoluta de contextualização dos discursos: o que se diz, como se diz, onde se diz, para quem se diz... uma série de perguntas que só pode ser respondida cruzando muitas fontes de informação, submetendo em revista horas e horas de cenas observadas, de textos lidos, de conversas registradas na memória e nos inúmeros blocos de notas.

E isto não é tarefa simples. Exige paciência e disciplina. E mesmo que a gente passe a vida treinando isso, eu, pelo menos, nunca consigo me acostumar direito com essa situação de acompanhar eventos, apresentar-me às pessoas, indagar-lhes sobre suas experiências mais íntimas e formular perguntas sobre questões muitas vezes até então impensandas pelos pesquisados. Sempre acho esta situação muita invasiva: tanto a de intrometer-me em seu cotidiano quanto a de despir-me de algumas noções a fim de viabilizar algum tipo de comunicação. Daí o frio na barriga.

Sair da zona de conforto nunca é tranquilo.

Cada ida a campo - chamamos nossa rotina de pesquisa de "trabalho de campo" - representa para mim um enorme desafio. Mas vamos lá. Apesar de voltar sempre exaurida destas situações - física e emocionalmente - volto também um pouquinho mais fortalecida.

Em virtude dessa viagem, passarei a semana off line. Gostaria de ter programado a publicação de uma dezena de postagens para esta semana. Só consegui programar uma, no embalo do tema do curso. Paciência.

Até a semana que vem.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Questão de genética

Poderia mesmo exagerar e dizer que meu DNA tem gene de pintor de parede. Meu pai, Francisco, foi pintor de parede, seu irmão também "fez a vida" pintando casas alheias, um tio materno igualmente cansou de prestar serviços nesta área. Minha mãe sempre fez questão de ajudar no serviço de pintura, responsabilizando-se muitas vezes pelos trabalhos que eu considero os mais difíceis e delicados, como pintura de rodapés, portas e esquadrias tingidas com tinta a óleo.

Cresci, portanto, neste ambiente no qual arregaçar as mangas e por a mão na massa não era, de modo algum, uma decisão relacionada a algum desejo de criatividade ou de realização pessoal. Assim como costurar, fazer horta e desenvolver habilidades com crafts e afins também não eram assim pensadas. Tudo isso fazia parte das obrigações de gênero impostas àquela geração hoje sexagenária - para revelar a idade mínima destas pessoas.

Obviamente me foram transmitidas inúmeras noções destes "ofícios". Mesmo porque, no interior de uma família muito pouco escolarizada - a minha geração foi a primeira a ingressar em cursos superiores e ainda é mínimo o número de graduados e, sobretudo, de pós-graduados - imaginar para seus filhos um futuro no qual tais habilidades fossem requeridas não era absolutamente um despropósito.

Logo, foi com esta disposição para a pintura totalmente naturalizada que resolvi encarar (uma vez mais, diga-se de passagem) a tarefa de modificar a cor das paredes de minha casa. Pesou para a decisão, é claro, o orçamento recebido na época: o serviço de pintura custaria cerca de R$1.000,00 para cada um dos apartamentos que deveria ser pintado (o alugado e aquele para o qual estávamos nos mudando). Caro! Sobretudo em um momento de mudança, quando se gasta um mundo de dinheiro com pagamento de taxas, transporte dos móveis, etc.

Além disso, ao contrário de nossos pais, maridão e eu projetamos, sim, nossos desejos mais secretos nesta atividade: acreditamos que seria lúdico, prazeroso, enfim, tudo de bom realizar, juntos, o trabalho de pintura nos dois imóveis. Poderia ter sido, mas não foi, essa é que é a verdade.

Primeiro porque meu marido, na época, recebeu um convite para redigir um conjunto de pequenos artigos sobre seu tema de pesquisa, diminuindo consideravelmente seu tempo e disposição para a pintura. Depois porque sua inexperiência com a tarefa minimizou significativamente sua participação no empreendimento. Somou-se a isto minha avaliação totalmente equivocada da quantidade de tempo a ser dispendida na tarefa, sobretudo em razão de situações não previstas: por exemplo, eu toscamente avaliei que uma única demão de tinta seria capaz de encobrir a cor da sala (o imóvel estava pintado com um tom amarelinho e eu queria que o ambiente fosse branco, para contrastar com a tal parede vermelha...), o que se mostrou completamente falso.

Outra coisa: pintar uma única parede, ou mesmo um cômodo, é algo bem diverso de pintar um imóvel de cerca de 70 m2. E dar conta deste volume de trabalho é coisa para gente profissa! Talvez se eu tivesse em melhor forma não teria sentido tanto os efeitos do exercício da pintura. Mas justamente em uma das fases mais sedentárias de minha vida - isso de passar os dias em frente a um computador escrevendo tese é o ó - a tarefa rendeu alguma estafa e, eventualmente, um pouco de dor muscular. Consequentemente, não pude levar adiante o ritmo de trabalho de um profissional da pintura.

Assim, aos poucos aquilo que era um sonho foi quase se transformando em um pesadelo. Senti-me muito frustrada por não dar conta do recado, sabe? E o que era para ser um prazer foi se tornando uma obrigação, um super fardo difícil de carregar.

Como se não bastasse tudo isso, em meio ao processo fui surpreendida com a notícia do prazo de entrega do texto de qualificação de minha tese. Trata-se de uma espécie de prévia de como vai se estruturar a dita cuja. O texto precisa ser avaliado por uma banca formada por três professores. Estávamos em meados de maio e eu imaginava que fosse possível entregar o texto em setembro;
mas não, precisava entregar no final de julho! Aff! E eu que fazia uns bons três meses que não mexia na tese... Bem, pára tudo o que diz respeito à mudança e pintura e toca escrever a tal qualificação.

Acabou que eu entreguei o texto no comecinho de agosto e, em virtude de problemas de agenda dos professores, qualifiquei meu texto apenas em meados de outubro...

Depois disso tudo, ai, perdi completamente o tesão pela pintura de paredes by myself. Agora não vejo a hora que maridão contrate logo nosso super faz-tudo Seo Nonato para concluir a pintura aqui em casa. E desde já sigo torcendo para obter um mega desconto por já ter adiantado o serviço...

Em tempo: a foto que ilustra este post foi extraída do blog Lá em casa.
Se reparar bem, é uma escada usada como porta-recados e coisas afins. Leia mais aqui.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Quatro desejos e alguns percalços

Quatro. Este era o número de desejos relacionados à pintura de meu novo lar.

1. O mais antigo deles era ter uma parede vermelha - preferencialmente uma parede da sala. Passei dias avaliando cores nos programas de simulação on line. Depois maridão e eu fomos até a loja e escolhemos duas amostras da Suvinil (a loja não comercializava Coral), uma na cor R 113 e outra na cor R105.

Chegando em casa pintei dois quadrados na parede que seria colorida. Lado a lado, um com cada uma das cores. Passamos uns dias olhando para a parede, observando a incidência e variação de luz e seus efeitos sobre cada uma das cores escolhidas. Engraçado foi a reação do pessoal da mudança quando viu a parede com aqueles quadrados (sim, eu fiz a besteira de me mudar sem ter concluído a pintura, schlept, schlept, schlept): quiseram ser educados e por isso elogiaram minha "arte" (risos).

Escolhemos o tom mais alaranjado (R113) - achamos que o outro puxava mais para o vinho e não gostamos tanto. Dei uma demão de tinta e já nesta ocasião o efeito foi incrível, tive a certeza de ter feito a escolha certa. Mas esta primeira demão não cobriu os quadrados que eu havia pintado como teste. Nem a segunda demão.

A esta altura eu já não tinha mais confiança que o trabalho de pintura by myself estava sendo rentável; tampouco ele estava sendo prazeroso. Então ficou para o seo Nonato finalizar. Quando? Bem, isto ainda é um mistério...

2. Queria um escritório verde. A antiga proprietária tinha pintado o cômodo que serve de escritório desta cor. Mas o problema que era um verde daqueles que só ameaçavam ser verde, sabe? Fraquinho, fraquinho. Uma tristeza. Eu queria um escritório verde de verdade (com o perdão da cacofonia). Estava tão convencida do tom "verde primavera" que nem amostra eu quis comprar; adquiri logo um galão.

Confesso que a primeira pincelada na parede me deu um susto. Eu tinha mesmo escolhido aquele "verde cheguei"? Humpf... Mas tudo bem, pensei, vamos em frente. Até que em dado momento alguns pigmentos que não tinham sido completamente diluídos mancharam a parede. Parecia que metade da parede tinha sido pintada de "verde abacate" e outra de "verde limão". Um horror! Com mais prudência, o trabalho de pintura da segunda demão não teve problemas. E hoje as paredes estão todas com a cor uniforme. E eu adoro meu escritório verde.

3. O terceiro desejo era ter uma parede com textura. Foi no período de procura pelo novo apartamento que visitei alguns imóveis que possuiam esses detalhes, coisa até então desconhecida para mim. Acabei convencendo o maridão que a textura poderia valorizar ainda mais nosso aparador, um móvel que ambos gostamos muito.

Na fase em que me achava mulher toda poderosa que iria resolver todas as pendências relacionadas à mudança em menos de um mês saí em busca de mais informações sobre texturização. Soube que lojas de material de construção ofereciam cursos sobre a técnica e lá fui eu fazer um deles. Foi bem divertido, aliás. Animei-me, comprei todo o material e... bem, ainda não executei o trabalho.

4. Desde que assisti a um vídeo disponível no site casa.com.br (aqui) não parei mais de desejar um cantinho no melhor estilo quadro-negro, na qual pudesse deixar recados. Eis que outro dia conheci o blog Laboratório caseiro e encontrei lá um post sobre esse meu sonho de consumo (veja aqui). Bem inspirador, vale a pena conferir.

Minha dúvida é se opto pelo verde escolar ou por algum tom de cinza quando for adquirir o esmalte fosco; maridão era mais favorável ao grafite, mas eu ainda estou em dúvida. E falta também decidir qual parede receberá esta pintura especial. Haja indecisão!

Enfim: em meados de maio completaremos um ano no novo apartamento e eu adoraria comemorar o aniversário do lar doce lar com todos estes desejos realizados.

Seo Nonato, socorro!!!

terça-feira, 10 de março de 2009

Novidades do mercado: clip de panela


Vi hoje publicado no blog Prateleira e adorei a novidade: clip de panela.

Só achei um pouco caro o adereço que promete dar uma boa ajuda para cozinheiras bem intencionadas porém com pouca habilidade para manusear as ferramentas do fogão. R$ 29,80 na loja Pepper.

Aliás, não conhecia a tal loja indicada no Prateleira. Hoje dei uma passeada pelo site da Pepper e vi uma série de produtos ultra dignos de figurar em qualquer lista de desejos da mulher moderna.

Mas será que na 25 de março a gente não encontra similares a preços mais convenientes?

segunda-feira, 9 de março de 2009

O mundo anda tão complicado

Dias tristes estes nos quais:

1. um dos jornais de maior circulação deste país classifica o regime militar de "ditabranda" (não leu? está aqui) e frente aos manifestos que recebe (aqui) limita-se a publicar o seguinte texto de seu diretor de redação, Otávio Frias Filho:

"O uso da expressão "ditabranda" em editorial de 17 de fevereiro passado foi um erro. O termo tem uma conotação leviana que não se presta à gravidade do assunto. Todas as ditaduras são igualmente abomináveis. Do ponto de vista histórico, porém, é um fato que a ditadura militar brasileira, com toda a sua truculência, foi menos repressiva que as congêneres argentina, uruguaia e chilena -ou que a ditadura cubana, de esquerda. A nota publicada juntamente com as mensagens dos professores Comparato e Benevides na edição de 20 de fevereiro reagiu com rispidez a uma imprecação ríspida: que os responsáveis pelo editorial fossem forçados, "de joelhos", a uma autocrítica em praça pública. Para se arvorar em tutores do comportamento democrático alheio, falta a esses democratas de fachada mostrar que repudiam, com o mesmo furor inquisitorial, os métodos das ditaduras de esquerda com as quais simpatizam.".

2. o arcebispo de Olinda e Recife excomunga a mãe de uma garotinha de nove anos, estuprada pelo padastro e grávida de gêmeos, bem como os médicos que realizaram o aborto. Ah, sim, eles têm o direito de se "arrepender"...

3. somos bombardeados com notícias sobre uma rede de pedofilia que agia em Catanduva, no interior do estado de São Paulo.

4. um casal foi alvo de sequestro relâmpago no Rio de Janeiro e, como se não bastasse isso, foi empurrado em um despenhadeiro.

Um minuto de silêncio, por favor, em prol de uma imprensa mais responsável, de um Estado capaz de implementar as políticas públicas necessárias, de uma igreja mais solidária e de um mundo menos desigual e violento.

sábado, 7 de março de 2009

Meme: turismo no final de semana

Marivone criou o seguinte meme que eu tenho o prazer de aceitar: a tarefa é listar lugares que eu indicaria para um visitante que passará apenas um final de semana na cidade onde resido - no meu caso, São Paulo.

Let´s go!

Tendo a acreditar que o charme de toda cidade se encontra no seu "centro velho". Com São Paulo não é diferente. Há quem desteste e se recuse a por os pés neste canto da cidade, alegando sujeira, violência e falta de atrativos. Pois é justamente neste espaço que eu acho que a cidade pulsa. E observar justamente as contradições - como a opulência dos prédios antigos contrastando com o comércio popular que hoje invade as ruas - me encanta e acho que pode encantar outras pessoas também, daí começar meu roteiro por aí.

Além do mais, o roteiro é feito a pé; afinal, quem disse que para se divertir é preciso gastar muito dinheiro? Veja só como tudo é perto (o mapinha foi publicado em uma matéria da Folha de S. Paulo, aqui).

Começaria o passeio de sábado partindo do Teatro Municipal. O projeto de Ramos de Azevedo, Domiziano Rossi e Cláudio Rossi foi inspirado na Ópera Cômica de Paris e é, definitivamente, um prédio muito bonito. Pertinho dali, caminhando para a esquerda, está a Galeria do Rock. Vale a visita, seja porque você é um aficcionado por música, seja porque você é uma pessoa que gosta de observar tendências e comportamentos.

Depois de visitar a Galeria, retorne para o Teatro e atravesse o Viaduto do chá. No caminho dedique alguns minutos à observação do Vale do Anhangabaú. Siga em em frente até chegar na Praça do Patriarca. Dependendo do horário, de sua fome e de sua agenda, você tem a partir deste ponto quatro opções de destino - lembrando que todos valem, absolutamente, uma visita:

a) Pateo do Colégio, lugar onde São Paulo nasceu. Visitar o museu e a igreja são dois programas interessantes mas o que eu acho mesmo imperdível é o café instalado no pátio interno. Um verdadeiro oásis de frescor e calmaria!

b) Centro Cultural Banco do Brasil, na esquina da Rua da Quitanda com Alvares Penteado. O prédio construido em 1901 é um charme! E há sempre exposições super interessantes. Há um café e, salvo engano, agora também um restaurante está em funcionamento. Aproveite para comer um alfajor Havana enquanto admira a arquitetura do lugar.

c) Mosteiro de São Bento. Vale conferir de perto os vitrais belíssimos que adornam a igreja. Já contei que sou apaixonada por arquitetura de igreja? Pois é, sou. Em frente ao complexo do Mosteiro tem um restaurante-café chamado Girondino. Ótimo lugar para fazer uma refeição ou simplesmente retomar o fôlego da caminhada. Os preços não são os mais camaradas mas também não são os mais abusivos em se tratando de São Paulo.

d) Largo de São Francisco. Como sei que Marivone faz Direito eu acho que ela se interessaria em conhecer a sede do primeiro curso jurídico do país. Em frente, há o Fazenda Café, outra opção para o almoço ou lanche.

Pena mesmo que por ser final de semana não dá para visitar o prédio-sede Banespa (Ed. Altino Arantes). Tem 161 metros de altura e lá de cima tem-se uma visão de 360º da cidade que é um desbunde! Mas só funciona em horário comercial...

Eu, particularmente, deixaria o Mosteiro para o final do roteiro. Mesmo porque este é outro ponto estratégico: à esquerda você encontrará o caminho para a Santa Ifigênia, rua dos eletrônicos; à direita, o caminho para a 25 de março e Mercado Municipal.

Assim: já vou avisando que fazer compras nesses lugares durante o final de semana requer muita disposição! Mas admito que não tem quem passe por São Paulo e não queira conhecer ao menos um desses dois lugares... Se for encarar a 25 de março, lembre-se que muitas lojas fecham a partir das 14 horas (sim, os vendedores têm família e o direito de curtir o final de sabadão junto aos seus), exceto em finais de semana prévios a alguma grande comemoração (quando é que é a Páscoa mesmo, heim?). Se for doente por doces sírios, não deixe de ir à Ria Abdo Schaim, paralela à 25 de março. Loucura de bom!

Se não estiver com espírito consumista e curtir exposições, aproveite que está perto da Estação São Bento (ou da Estação Sé, dependendo de qual destino escolheu), para pegar o metrô em direção à Estação da Luz. No entorno da Luz - a estação de trem é muito bonita, por sinal - há três museus que você poderá visitar: o Museu da Língua Portuguesa (que é muito high tech para o meu gosto, mas merece a visita em um horário que não coincida com as excursões escolares), a Pinacoteca (que é um prédio lindo e tem um acervo bem interessante) e a Estação Pinacoteca (um prédio onde inicialmente funcionou a adminstração da Estrada de Ferro Sorocabana e que depois abrigou o DOPS). Escolha apenas um deles, no máximo dois, para não se cansar muito e poder aproveitar melhor a(s) exposição(ões).

Depois disso, para retomar o fôlego, tome algum ônibus (nos pontos que ficam na rua aos fundos da Estação, passam uns ônibus de cor vinho) e siga em direção à região da Consolação (na dúvida, confirme o itinerário com o cobrador). Desça no ponto do Edificio Copan - ou pouco antes se fizer questão e gritar que alguma coisa bate no seu coração quando cruza a Ipiranga com a Avenida São João.

Tudo bem que tem gente querendo matar o Niemeyer pelo seu projeto de construção de uma praça nada a ver no coração do plano piloto de Brasília. Mas que as linhas do Copan por ele projetadas são belíssimas ninguém é capaz de duvidar. E o prédio abriga ao menos três lugares bem bacanas para fazer um happy hour: o Bar do Museu (lugar ultra sossegado porque meio escondido; a cerveja dificilmente está no ponto, mas a porção de pastéis é bem gostosa e relativamente barata; vale pela história do lugar e pelo estilo "pitoresco"), o Bar da Dona Onça (confesso que ainda não conheço mas vem sendo muito elogiado, tem cara de ser um lugar bem descolado) e a Padaria Santa Efigênia (paulistano gosta de dizer que as padarias - as "padocas" - são uma verdadeira instituição da cidade. Verdade ou não, é fato que esta padaria em particular é muito bacana. Come-se bem e gasta-se relativamente pouco, comparando os preços praticados ali com o de outros lugares da cidade).

O domingo eu dedicaria à Avenida Paulista e seu entorno. Iniciaria o passeio pelo MASP, que, de longe, é o lugar mais paradigmático de São Paulo. O museu abre às 11 horas, é bom avisar. Se, antes da ida ao museu, quiser fazer um lauto desjejum, siga então para a Bella Paulista e se esbalde no buffet de café da manhã (na última vez que fui - e faz tempo! - custava uns R$ 15,00 por pessoa, mas a relação custo/benefício acaba compensando, especialmente se você topar trocar uma refeição por um brunch e também se lembrar que as refeições nesta região da cidade costumam ser particularmente caras).

Não deixaria de entrar no Conjunto Nacional (esquina da Avenida Paulista e Rua Augusta). Ali está a Livraria Cultura - que hoje acho que é a maior livraria da cidade - e o Cine Bombril, além de outros comércios. Ainda prefiro a Livraria da Vila, de menores proporções - e consequentemente mais aconchegante - e com bom acervo, mas passar por São Paulo sem entrar na Cultura não tem a mínima graça para quem é chegado em livros. Mesmo que no final de semana a loja fique mais muvucada.

Depois eu sugiro descer a Rua Augusta sentido Jardins. Menos para conhecer o comércio caro da Oscar Freire - mesmo que você não tenha dinheiro no bolso para esse tipo de comércio, vale observar a fauna da região...- que para chegar a uma das salas de cinema mais charmosas da cidade: o CineSesc. A sala é enorme e a seleção de filmes é ótima. Outra opção para os cinéfilos de plantão é descer a Augusta sentido Centro e conferir a programação do Espaço Unibanco. Bem, e ali perto, na Consolação, também tem o HSBC Belas Artes.

Depois disso tudo, se ainda restar um tempinho, retorne para a Avenida Paulista e atravesse-a em direção ao número 119. Ali fica uma unidade do SESC. No terraço há um simpático café e de lá se tem uma vista bem bacana da cidade. Se for fim de tarde, fica melhor ainda.

Como curti a brincadeira, repasso o recém-criado meme para a mineira ligada nos 220v do blog Vou te contar. Quais lugares você indicaria para um visitante conhecer durante um final de semana na sua cidade?

Em tempo: todas as fotos que ilustram este post foram obtidas no Google Imagens.

Update: sim, eu sei que deixei de lado a Liberdade, o Ibirapuera e uma porção de lugares bacanas. Eu sei...

sexta-feira, 6 de março de 2009

Li por aí: Uia

Acho que foi no último domingo, já não me lembro bem, que saiu uma matéria na Folha de S. Paulo sobre lugares imperdiveis na internet. Meia dúzia de bam-bam-bans foi convidado para indicar os sites que visitam com regularidade. E foi na lista do Marcelo Tas que vi o Uia - um blog com dicas de programas culturais, baladas e afins.

O Uia tem um layout super clean e isso, de cara, já me agradou. Além disso, traz dicas realmente bacanas, de praticamente todas as áreas e para quase todas as tribos. Vale se manter informado, mesmo quando não se está com muito pique ou com grana para curtir as indicações.

Veio de lá a informação sobre uma mostra de cinema, com sessões diárias e gratuitas entre 02 e 15 de março. Dos filmes a serem exibidos, só assisti O banheiro do Papa. Gostei bastante, aliás. Quem sabe não arranjo uma brecha entre os afazeres da tese para conferir algum outro filme? Vamos ver...

Mais informações sobre o V Prêmio FIESP/SESI-SP do cinema paulista estão aqui.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Aceita um chá?

A primeira vez que entrei na loja Tee Gschwendner foi em Curitiba, há coisa de uns sete anos, se não me falha a memória.

Maridão e eu tinhamos ido conhecer uma casa de sucos chamada Jungle Juice. Além dos sucos turbinados e dos sanduíches idem, eles serviam alguns chás da marca Tee Gschwendner. Lembro até hoje minha escolha por um chá de sabor tão exótico quanto inesquecível, uma mistura de chá verde e manga, nomeado de modo inusitado: Pai Morgana.

Propaganda é mesmo a alma do negócio. A parceria com a Jungle Juice deixou-nos curiosos. Maridão foi quem primeiro se aventurou a conhecer a loja. Tempos depois fui também conhecer a franquiada da rede alemã de chás que por aqui ficou conhecida como A loja dos chás.

Verdadeiro paraíso, minha gente. Imaginem uma prateleira imensa, cheia de latas, cada qual contendo uma mistura diferente de chá (seguindo a uma grande divisão entre verdes e pretos e, destes em puros, aromatizados ou bio-orgânicos). São mais de duzentos tipos! Além dos chás, louças e demais apetrechos para o preparo do chá, todos muito lindos. E as atendentes têm uma paciência de Jó para explicar as diferenças entre cada uma das opções. Os preços não são nenhuma pechincha, mas a relação custo/benefício compensa.

Aqui em São Paulo há três lojas da Tee Gschwendner e, pelo menos a do Shopping Iguatemi tem um pequeno mas agradável espaço para degustação de alguns chás e quitutes (o Devil´s cake, um bolo de chocolate com recheio de brigadeiro, decorado com damasco, é divino!). Acho que em Brasília, na Asa Sul, e em Porto Alegre as lojas também tem um espaço similar.

Como fui lá dia desses, fiquei com vontade de partilhar aqui mais informações sobre a loja de chá. Para conhecer melhor os produtos consulte a homepage dos franqueados porto-alegrenses, aqui (aliás, não entendo por qual razão não há um site da empresa listando todas as lojas no Brasil...).

Em minha busca por mais informações sobre a loja, uma notícia triste: não é que eu fico sabendo que a loja de Curitiba fechou?

Snif.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Medo... que dá medo do medo que dá

Uma bela música para começar o mês, sem medo.

Miedo
(Composição: Pedro Guerra/Lenine/Robney Assis)

Tienen miedo del amor y no saber amar
Tienen miedo de la sombra y miedo de la luz
Tienen miedo de pedir y miedo de callar
Miedo que da miedo del miedo que da

Tienen miedo de subir y miedo de bajar
Tienen miedo de la noche y miedo del azul
Tienen miedo de escupir y miedo de aguantar
Miedo que da miedo del miedo que da

El miedo es una sombra que el temor no esquiva
El miedo es una trampa que atrapó al amor
El miedo es la palanca que apagó la vida
El miedo es una grieta que agrandó el dolor

Tenho medo de gente e de solidão
Tenho medo da vida e medo de morrer
Tenho medo de ficar e medo de escapulir
Medo que dá medo do medo que dá

Tenho medo de acender e medo de apagar
Tenho medo de esperar e medo de partir
Tenho medo de correr e medo de cair
Medo que dá medo do medo que dá

O medo é uma linha que separa o mundo
O medo é uma casa aonde ninguém vai
O medo é como um laço que se aperta em nós
O medo é uma força que não me deixa andar

Tienen miedo de reir y miedo de llorar
Tienen miedo de encontrarse y miedo de no ser
Tienen miedo de decir y miedo de escuchar
Miedo que da miedo del miedo que da

Tenho medo de parar e medo de avançar
Tenho medo de amarrar e medo de quebrar
Tenho medo de exigir e medo de deixar
Medo que dá medo do medo que dá

O medo é uma sombra que o temor não desvia
O medo é uma armadilha que pegou o amor
O medo é uma chave, que apagou a vida
O medo é uma brecha que fez crescer a dor

El miedo es una raya que separa el mundo
El miedo es una casa donde nadie va
El miedo es como un lazo que se apierta en nudo
El miedo es una fuerza que me impide andar

Medo de olhar no fundo
Medo de dobrar a esquina
Medo de ficar no escuro
De passar em branco, de cruzar a linha
Medo de se achar sozinho
De perder a rédea, a pose e o prumo
Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo

Medo estampado na cara ou escondido no porão
O medo circulando nas veias
Ou em rota de colisão
O medo é do Deus ou do demo
É ordem ou é confusão
O medo é medonho, o medo domina
O medo é a medida da indecisão

Medo de fechar a cara
Medo de encarar
Medo de calar a boca
Medo de escutar
Medo de passar a perna
Medo de cair
Medo de fazer de conta
Medo de dormir
Medo de se arrepender
Medo de deixar por fazer
Medo de se amargurar pelo que não se fez
Medo de perder a vez

Medo de fugir da raia na hora H
Medo de morrer na praia depois de beber o mar
Medo... que dá medo do medo que dá
Medo... que dá medo do medo que dá




Balanço do mês de fevereiro

BLOG: nossa, nem parece que o Matutando completou dois meses. Parece que foi ontem que tive a idéia de construir este espaço. A experiência está sendo uma delícia, especialmente pelas visitas que o blog tem recebido. Muito bom poder estabelecer novos laços de afeto. E meus dias têm sido mais leves, deliciosamente mais leves com a leitura diária dos blogs amigos.

TESE: o trabalho vem tomando cada vez mais corpo. Em relação a janeiro o texto quase triplicou de tamanho.

Claro que a qualidade de uma tese não se mede pelo volume de páginas; mas comemoro este aumento expressivo de laudas como índice de meu ânimo. Empenhei-me, sobretudo, em efetuar a descrição de alguns eventos acompanhados. Agora, resta analisar este material, fazer dialogar estes dados com algumas teorias.

A estrutura do trabalho está armada e isto me deixa bem feliz. Agora é caprichar no "recheio".

Neste mês de março participarei de um evento relacionado ao objeto da tese e estou bastante empolgada, pois acho que terei condições de obter informações muito interessantes para a pesquisa. Além disso, neste mês as atividades do grupo de estudo coordenado por minha orientadora serão retomadas e talvez eu passe a acompanhar como aluna ouvinte uma disciplina na Pós. Ou seja, muito trabalho pela frente. Momento de acelerar o ritmo!

SAÚDE: Não marquei as consultas que deveria ter marcado e não observei com a atenção devida a organização do cardápio. Schelept, Schelept, Schelept.

Infelizmente não fui contemplada no sorteio de vagas para a prática de ioga no CEPE/USP e fiquei bem triste. Preciso por em prática uma alternativa: o que me parece mais viável agora, emocionalmente e financeiramente, é realizar caminhadas. Não curto muito clima de academia e sei que entrar em uma nesta altura do campeonato me causaria um desgaste emocional enorme.

CASA & CULINÁRIA: reconhecidamente eu tenho dificuldades para lidar com alguns assuntos práticos. Agendar reparos com prestadores de serviço é um deles. Enfim, esperei que maridão tomasse as providências cabíveis para por fim na já longa história da pintura do apartamento. Mas, entre outras coisas, o feriado de carnaval atrapalhou os planos e, assim, a expectativa agora é resolver isto no mês de março. Hoje maridão efetuou a compra do novo tanque, pendência antiga... semana que vem acredito que seu Nonato será convocado e resolverá as pendências elétricas e concluirá a pintura da casa. Ufa!

Outra coisa que não rolou foram os cursos na Casa Gourmet Arno. Acabei faltando em um e, antes de repetir o feito, desmarquei o segundo compromisso. Em cada uma das ocasiões estava indisposta - ainda que em cada uma delas, por razões diferentes. Devo admitir que não tenho saído muito de casa, ando particularmente ensimesmada. Imagino que a nova rotina do mês de março deva mudar um pouco meu ânimo.

De receitas novas, nada de extraordinário. Fiz uma receita de antepasto de beringela e nada mais. Fiquei babando com a receita de semifreddo de chocolate publicada pela Simone (aqui), mas ainda não me joguei com tudo. Eu disse ainda.

A casa está precisando de uns mimos. Desde renovar o enxoval doméstico até criar uma ou outra coisinha bonitinha para alegrar o ambiente. Fiquei com vontade de fazer alguma coisa com fuxico, especialmente depois de ver o tutorial bem detalhado que a Rossana publicou aqui. Também adorei a ideia de criar um cantinho de temperos usando xícaras como vasos, como a Cacau mostrou aqui. Só falta arrumar espaço.

EM RESUMO: carnaval acabou e já está passando da hora de resolver algumas pendências!

E você, pos em prática seus planos antigos? O que o mês de março lhe reserva?