segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Dor e silêncio

Há diversas coisas sobre as quais eu gostaria de escrever, dentre elas coisas a respeito da viagem ao Chile. Comentários sobre os restaurantes, as comidas, as pessoas, as cidades.

Também gostaria muito de falar sobre o quanto estou cansada em virtude do acúmulo de trabalho.

Mas não há sentido em escrever sobre isso em um momento de tanta dor.

Meu sogro está hospitalizado, em coma. Recebemos a triste notícia no sábado. Primeiro nos disseram que era uma "AVC leve", se é que alguém neste mundo pode ter um avc leve... Estava com dificuldades motoras, mas consciente.

Depois chegou a notícia de que ele estava indo para a UTI. Sem dizer se isso era apenas para controle do estado geral de sua saúde ou algo mais grave.

Pouco antes de meu marido viajar, chegou a notícia do coma. Mas ainda sem detalhes se coma induzido ou não.

Ontem, finalmente, chegaram notícias um pouco mais completas e alarmantes. Houve o rompimento de um tumor cerebral. Ele tem 20% de chances de vida.

E tudo é dor desde então. E vazio. E silêncio.




sábado, 28 de novembro de 2009

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Uma sugestão de museu

Como disse anteriormente, os planos iniciais da viagem ao Chile foram sendo alterados no percurso. Mas algo que estava desde o início previsto e que não abrimos mão foi fazer uma visita ao Museu Chileno de Arte precolombino.

O acervo é vasto e interessantíssimo. Claro que colegas antropólogos poderiam, por exemplo, elaborar mil e uma críticas a respeito da seleção das peças, dos critérios de classificação e exposição e assim por diante. Algo, aliás, que podemos sempre fazer em todo e qualquer museu, tenha ele ou não pretensões "etnológicas". Mas confesso que quando entro nos espaços museológicos esqueço na bolsa minha carteirinha profissional e deixo-me levar pelo imenso prazer estético em conhecer peças tão interessantes. Como esta da foto (do site do Museu, aliás). É um chemachull, uma estátua antropomorfa de grandes proporções. Dispostas lado a lado em um total de oito figuras o conjunto de estátuas é muitíssimo belo. Abaixo, uma breve descrição:

Hasta las primeras décadas del siglo XX, los Mapuches del sur de Chile utilizaron los chemamull, como uno de los componentes esenciales de los ritos realizados durante el kurikawin o velorio de sus muertos. Primero, la estatua de madera se colocaba junto al difunto, mientras un larga lista de parientes y personalidades pronunciaban discursos alabando al muerto y recordando sus mayores logros. En la etapa final de la ceremonia, el chemamull era erigido junto a la tumba para señalar el lugar donde permanecería el cuerpo.

En la cultura tradicional mapuche, estos ritos eran necesarios ya que la muerte se concebía como un poderoso elemento de equilibrio entre las fuerzas que controlan el universo. De esta manera un rito mortuorio desarrollado según la tradición o admapu, garantizaba que el espíritu del difunto, luego de vagar un tiempo entre los vivos en forma de Am, realizara su viaje hacia el Nag Mapu, incorporándose a los espíritus de los antepasados que velan por sus parientes vivos. No obstante, si los deudos descuidaban estos ritos, era muy probable que el Am fuera capturado por algún brujo y convertido en un espíritu maligno.

Mudando de assunto. Acho que curti o museu porque, no fundo, gosto mesmo é de observar objetos e esculturas. Não que as entenda, estou longe de decifrar seus significados. Mas sinto maior prazer observando volumes à pinturas. De onde vem isso, não sei. Mas acho que isso não importa muito, não é mesmo?

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Santiago


Voltar a Santiago foi uma experiência muito legal. Tanto pelo congresso, que rendeu conversas bastante interessantes, como por ter a oportunidade de visitar muitos lugares que não conhecia ainda e repetir passeios clássicos, como subir o Cerro San Cristobal para de lá avistar a Cordilheira, belíssima.

Os planos iniciais da viagem, a bem da verdade, foram todos transformados. Queria muito, muitissimo aliás, viajar mais ao Sul, andar no entorno do vulcão Osorno - não me perguntem muito bem por qual razão encasquetei que queria porque queria conhecer o tal vulcão - e conhecer a região da Araucania. Depois queria voltar a Santiago apenas para um giro rápido, com direito a um pit stop na vinícula da Cousiño Macul.

Já antes de sair de São Paulo, contudo, avaliei que o passeio pelos lagos, termas e afins mais ao Sul exigiria bem mais tempo que aquele do qual eu dispunha. Então, maridão e eu resolvemos restringir nossa viagem à capital chilena. Fizemos bem, definitivamente. Curtimos, com toda a calma necessária, alguns museus, os mirantes, os restaurantes, as ruas planas, os grafites, os bosques, as pessoas.

Em meio a breve viagem percebemos que o passeio à vinícola exigiria uma rotina apresseada que não condizia minimamente com Santiago. Aliás, alguém aí pode me dizer se há razão para que em uma viagem as pessoas façam tudo rápido e rasteiro só para dizer que passaram por quinze mil lugares - dos quais vão se recordar, provavelmente, de apenas um ou dois?

Pois é. Viajar é bom.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Um pisco, por favor

A partir de hoje até a semana que vem o Matutando entra em recesso.

Viajo para Santiago para participar de um congresso e depois aproveito para tirar três dias de férias porque ninguém é de ferro!


Esta não é a primeira vez que vou ao Chile. Em 1997, mais precisamente em dezembro daquele ano, minha prima e eu embarcávamos em um busão rumo ao Chile.

Tinhamos passado o ano todo trabalhando um bocado (novidade!?) e com a proximidade das férias resolvemos viajar "para bem longe". Mas longe, onde? Foi aí que abrimos o mapa e concluimos que o Chile seria nosso destino. Bem assim, sem justificativas mais sofisticadas. Bem poderiamos ter escolhido Montevidéu, Buenos Aires ou ainda qualquer outro lugar, mas elegemos Santiago.

A aventura começou, claro, já na rodoviária à espera do ônibus rumo à capital chilena. Já nem me lembro mais quantas horas levou a viagem de Curitiba até o destino final (50 h, talvez?), embora me pareça que foi ainda ontem que estava na estrada margeando uma imensa plantação de girassóis ou atravessando Los caracoles.

Da cidade de Santiago, é fato, pouco me recordo. Na manhã seguinte ao desembarque já seguimos para Viña del Mar e Valparaíso. E se foi bastante acertado ir para lá - para assim poder dizer pelo resto da vida de que já coloquei meus pés nas águas gélidas do Pacífico - por outro foi justamente lá que enfrentamos contratempos, e dos grandes. Minha prima teve quase todo seu dinheiro furtado e a viagem que se estenderia por mais uma semana precisou ser encurtada, obviamente.

Por falta de sorte, de planejamento ou, para ser mais sincera, de ambas as coisas, quando regressamos a Santiago encontramos uma cidade esvaziada. Por conta do reveillon, não por acaso, muitos estabelecimentos estavam fechados. Caminhamos muito de um lado para outro e claro que um ou dois lugares emblemáticos foram visitados na ocasião. Então, posso dizer que vi o suficiente para achar a cidade linda e para reter a imagem da Cordilheira como uma espécie de moldura, algo que realmente é encantador. Mas não o suficiente para conhecer a cidade, isto não.

Então, parto cheia de expectativas. Na volta conto aqui se elas se cumpriram ou não.

Até logo.


Foto: Enforex.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Consolação

Porque desde ontem só tenho ouvidos para Baden, graças ao show Afrosambajazz, no SESC.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Um chá, por favor

Tenho uma amiga muito criativa e alto astral. E a dita cuja teve uma ideia muito glamourosa para comemorar a chegada de mais um ano de vida: um esplêndido chá da tarde servido nos jardins do Museu da Casa Brasileira.

Logo mais saberei se o tal chá completo vale mesmo os R$ 38,50. Mas posso adiantar que o lugar é agradabilíssimo (aos domingos costuma ocorrer apresentações musicais no espaço dos jardins) e a companhia da T., vale mais ainda. E isso basta.




segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Balanço mensal: outubro

Sim, o mês passou voando. Mas porque foi um mês intenso e produtivo. E aquela sensação de estar sendo atropelada pelas atividades foi um pouco dominada, o que me deixa muito feliz.

TESE & TRABALHO: Voltei a trabalhar na tese. Não avancei muito não por conta das inesperadas viagens a Curitiba, dentre outros motivos. Mas o que importa é que voltei ao texto com a serenidade necessária para encarar os problemas ali existentes e seguir adiante, como deve ser. Isso me deixou animada, sem dúvida.

Além da tese, dividi minha atenção em outros três projetos distintos, todos já mais ou menos explorados aqui no blog: um projeto de pesquisa coletivo, as apostilas de sociologia para o ensino médio e a assessoria de pesquisa para a organização que é um dos objetos da tese. Isso sem contar os grupos de estudo.

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas preciso realmente dedicar mais tempo à sistematização de alguns resultados destes esforços, caso contrário o conjunto de conhecimentos (e sentimentos) tende a cair em uma espécie de buraco negro e aí parte significativa deste percurso (e aprendizado) poderá se perder, infelizmente.

SAÚDE: contei que senti palpitações? Acho que não. Então, levei um susto e fui logo tratando de marcar um cardiologista. Já estou com uma pilha de exames para fazer. Aproveitei também para realizar diversas consultas de rotina de modo que uma de minhas promessas de fim de ano - cuidar mais e melhor de minha saúde - está sendo cumprida. Isto também me deixa bastante satisfeita.

As atividades físicas, bem, as atividades físicas... posso falar delas depois?

CASA & CULINÁRIA: posso dizer que a minha casa anda abandonada, coitada. Mas posso também me redimir dizendo que dei um bom trato nas coisas de minha mãe, jogando fora uma porção de coisas inúteis e preservando e organizando tantas outras com real utilidade.

E acabo de me tornar a feliz proprietária de uma máquina de costura! Fazia tempo que eu andava namorando a ideia de ter uma máquina e mexer nos antigos retalhos e fios na casa de minha mãe acho que só fez aumentar este desejo. E como a máquina que ganhei de presente de minha avó tornou-se propriedade de minha mãe - além do fato de que transportá-la para São Paulo seria tarefa ingrata, fora que não há espaço aqui para aquela máquina com gabinete - optei por adquirir outra, ao mesmo tempo mais moderna e compacta. A dita cuja chegará ainda nesta semana, acho, então aguardem notícias da mais nova habitante deste lar.

Espero sinceramente que a reboque do mundo craft, que tende a ganhar espaço cada vez maior em minha rotina, as experiências culinárias também adquiram maior centralidade. Sinto tanta falta disso! Faz um tempão que não me arrisco em uma nova receita, mesmo porque nem tenho praticado as "velhas", deixando a cozinha como território quase exclusivo do maridão. Ok, ele se diverte, eu adoro esse paparico, mas convenhamos que não é lá muito justo deixar praticamente todas as refeições a cargo alheio. Aspecto a modificar!

EM RESUMO: Outubro foi um mês de muitas revisões de memória e de avaliações das relações familiares. Mas o saldo foi surpreendentemente positivo. Ufa!

Imagem: Eugène Grasset (tem mais aqui)