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| We heart it. |
A última quinta-feira marcou nosso terceiro encontro e, até agora, tudo vai bem entre nós. Neste período descobrimos que ela bebe litros de produtos de limpeza, por assim dizer, e isto sempre nos causa incômodo. Não pelo gasto adicional com os produtos, que é ínfimo, mas porque nada nos tira da cabeça que tanto amoníaco assim não há de fazer bem para a Maria - nem para as pessoas humanas e para a pessoa felina que reside nesta casa.
Não demorou muito para que maridão e eu descobríssemos que convenções de gênero muito distintas nos separam da Maria. Para ela não deixa de ser meio escandaloso isso de ambos frequentarmos o fogão, a pia e a máquina de lavar roupa com semelhante assiduidade. Volta e meia ela reclama do filho, que sequer arruma o próprio prato de comida. Como pode isso ocorrer ainda hoje? - eu me pergunto. Logo em seguida Maria confessa que ela própria ou a nora impedem o marmanjo de fazer qualquer tarefa doméstica. É claro que tem aí um certo conflito, ampliado, talvez, pelo convívio com tantas distintas famílias. Como a Maria gerencia todas estas diferenças quanto aos modos de cuidar da casa, dividir tarefas e se relacionar com o sexo oposto é, claro, uma pergunta que anda martelando a minha cabeça.
E como administra a mesquinhez, a ignorância, a falta de atenção? Durante uma de nossas conversas, por exemplo, fiquei sabendo que alguém, certa vez, lhe disse que ela teria direitos especiais porque ela seria "deficiente". Fiquei escandalizada porque a Maria é uma mulher de baixa estatura, absolutamente dentro da média de altura das mulheres brasileiras. Perspicaz, Maria logo rotulou o conselho de besta, até mesmo porque, quem lhe deu, não era muito mais alto que ela não, disse-me. Melhor assim, Maria.

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