quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Ciclos


A primeira coisa a dizer aos caros leitores deste blogue é que depositei a tese na semana passada. Agradeço a todos que passaram por aqui (ou que mandaram mensagens) oferecendo apoio, leitura e, sobretudo, companhia.

Se a tese ficou como eu esperava? Não sei responder ao certo. Talvez porque não saiba ao certo o que esperar da tese, sabe? O texto foi tomando forma durante o processo (o que significa que de um dia para o outro a danada mudava significativamente!) e, talvez, neste caminho eu tenha optdo por fazer um trabalho bastante diverso daquele que eu imaginava ser necessário fazer. Por isto mesmo, talvez, ele tenha se tornado um trabalho mais autoral: todos os erros e os acertos da tese são meus, disto eu tenho a mais absoluta certeza.

Estou certa de que em relação ao meu mestrado eu fiz avanços. Hoje eu escrevo melhor. Eu sei analisar os dados de modo mais competente. E neste sentido, sim, a tese saiu melhor que a encomenda, por assim dizer. Todo este processo, contudo, foi bastante dificil. Passei outubro chorando dia sim, dia não. Não quis transformar este blogue em um diário sentimental no seu sentido mais pleno, mas me permito fazer isto agora, por breves instantes. Queria dizer que eu senti uma solidão profunda e passei dias remoendo sentimentos tristes. Maridão e Monalisa são testemunhas. Por sorte consegui me recompor a tempo de tomar as rédeas do processo e sofrer um pouco menos com as dificuldades nesta reta final. Atenção: eu disse sofrer menos. Isso significa que algo aqui dentro ainda precisa de tempo para se refazer.

Mas enfim, prazo vencido, tese depositada. Simples assim. Resolver alguns problemas que a tese apresenta demandaria não uma semana a mais de trabalho, mas meses, anos. Então sigamos. Está aí esboçado um programa de pesquisa, que pode ou não ser seguido nos próximos anos. Tudo ainda por definir, com toda a calma que eu tenho direito de ter.

Confesso também que tive medo em seguir com o plano incial de depositar a tese e pegar um avião. Mas resolvi que deveria seguir em frente, e assim foi. Cá estou em outro país, convivendo com uma família que não é a minha, mas que é extremamente amável e não mede esforços para que minha adaptação seja a mais rápida e a melhor possível. Cá estou tentando me comunicar em um idioma que não é o meu, mas achando isso super divertido e estimulante. Cá estou observando a neve, os táxis laranjas que lembram a minha cidade natal, as pessoas que evitam se sentar umas ao lado das outras no ônibus e no metrô, as embalagens gigantes e o ritmo de uma cidade bastante peculiar.

Enfim, meus amigos, agora tudo está bem. Só não está melhor porque nesta próxima sexta-feira completa um ano de falecimento de meu sogro e isto me deixa um pouco melancólica. Mas a vida por aqui segue. Sempre.

3 comentários:

  1. Parabéns, Evita. Que notícia boa essa. Que você depositou a tese eu até já sabia (acho que foi no Facebook que li). Que bom poder relaxar depois de todos esses anos de ralação. Aproveita bastante. Beijão

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  2. Parabéns, Eva! Tenho certeza que tudo vai dar certo! Seu blog foi - e é - um conforto para quem tem nas costas essa danada de tese! Bjs

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  3. Ai Eva... Sabe aquela coisa meio "eu-sabia-que-ia-dar-tudo-bem-no-final"? É o que sinto sobre sua tese e meu artigo de conclusão da especialização. Acho que a gente compartilha da doença da procrastinação, o que, de certa forma, sempre me deixa ciente do quanto sei e do quanto posso alcançar. No mais, sobre seu sogro, digo o que sempre digo aos amigos que perderam parentes queridos: se apegue às boas lembranças! Sorria. Lembre disso ou daquilo que ele falou que foi o máximo... Eu adoro isso e é a melhor maneira de lembrar pessoas queridas!

    Tudo de bom e um beijão!
    Mari

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