sexta-feira, 28 de maio de 2010

Sonhadores?



Uma amiga sempre diz que há um espacinho reservado no céu para algumas pessoas que ela considera serem especiais. Tipo o inventor da máquina de lavar, sabe? Eu incluiria nesta lista mais meia dúzia de inventores, pelo menos, e dentre eles a gentil pessoa que teve a brilhante ideia de produzir fósforos de segurança - aquele maiorzinho, que evita que uma pessoa inábil como eu se queime toda a vez que pretende preparar aquele café esperto.

Mas se tem um espaço no céu para estas pessoas "do bem", há de ter também algo similar na outra ponta, para os "do mal". E lá tenho a certeza de que habitará por toda a eternidade o conjunto de infelizes responsáveis pela criação e execução das malfadadas dinâmicas motivacionais que frequentam os treinamentos das empresas. Quem aqui nunca se viu tendo que gesticular de uma forma ridícula e cantarolar uma musiquinha qualquer? Você não? Eu já. E é por isso que cada vez que eu assisto a mais nova propaganda institucional do Itaú, eu me deprimo. E torço para que uma amiga que lá trabalha tenha ficado doente de mentirinha no dia da infame gravação.

Junto com esta galera também devem estar todos os gerentes que obrigam os seus funcionários a usarem parafernálias, roupas e adereços rídiculos, seja por conta da Páscoa, do vindouro dia dos namorados, da Festa Junina ou até mesmo da Copa do mundo. Hoje, ao abrir a cortina do escritório, fui surpreendida pela imagem de bandeirolas verdes e amarelas enfeitando o sacolão de frutas e verduras que tem aqui perto de casa. Inclassificável.

De acordo?

Imagem: We heart it.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Feliz (II)

E depois da primeira aula de encadernação, maridão e eu fomos conhecer o Museu Lasar Segall.

Incrível isto de viver em uma cidade e demorar tanto tempo para conhecer um lugar tão lindo como este! A gente se acostuma a dizer para si mesmo que não tempo, não tem disposição, não tem sei-lá-mais-o-que. E aí acaba desenvolvendo uma rotina besta (os francófonos têm uma expressão que eu adoro para se referir a esta rotina: métro-boulout-dodo) e deixa de ter experiências super prazerosas.

Bueno, ontem, finalmente, maridão e eu fomos ao Lasar Segall. E eu voltei de lá encantada. O espaço é muito gostoso e as esposições, tanto a permanente como a temporária, são incríveis.

Na exposição permanente somos apresentados a um Segall muito versátil: temos ali telas a óleo, gravuras - as minhas prediletas -, aquarelas e esculturas. Há trabalhos tanto da fase mais influenciada pelo movimento impressionista - luz! - como aqueles alinhados à Escola Expressionista.

Certo crítico de arte, segundo maridão, disse que o lituano teria exagerado nas tintas: um alarido de cores marcaria a obra de Segall. Não foi bem isto que eu vi. Você, por exemplo, diria que o quadro ao lado é um digno exemplar do tal exagero de cores?

Na exposição temporária tem-se a oportunidade de ver, lado a lado, gravuras de Segall, Oswaldo Goeldi e Iberê Camargo. A exposição leva o nome de "Cálculo da expressão" e logo se entende o título: é impressionante o efeito que estes três artistas conseguiram realizar com uma economia precisa de traços. Basta analisar, por exemplo, a gravura ao lado, do Goeldi, uma das quais mais gostei. Fiquei realmente extasiada com a capacidade de construção de uma cena tão rica com tão poucos talhes.

Para quem não puder, infelizmente, visitar pessoalmente a exposição, vale a pena, ao menos, visitar a homepage do Museu. Tenho certeza de que irão apreciar.

Feliz


Incrível como pequenos desejos, quando realizados, podem nos deixar tão felizes, não?

Sempre gostei de artigos de papelaria. Um dos presentes mais lindos que ganhei foi um "caderno de bolso para anotações", cuja capa é revestida por um couro macio de coloração rósea. O miolo é feito com papel vergé amarelinho e, acreditem, em 1996 isso era um luxo!

A "relíquia" só passou a ser usada quatro anos mais tarde, por ocasião dos preparativos de minha primeira viagem internacional. Parece bobo, mas na minha cabeça o precioso objeto deveria ser utilizado em uma situação igualmente especial. Então, estão lá os endereços dos museus que eu pretendia visitar, mapas de metrô, localização de albergues, horários de trens e endereços dos amigos para os quais um postal não podia faltar. Ainda hoje restam muitas, muitas folhas por usar. Felizmente, já conheci outras pessoas que gostam tanto de um determinado material que desenvolvem uma espécie de medo, ou pena, de usá-los e, como eu, são capazes de manter quase intactos um caderninho tão gracioso.

Também guardo comigo dois cadernos do tempo do Mestrado. E confesso: guardo-os por conta da capa de tecido! Sim, porque depois de dez anos as anotações feitas em aula tornaram-se quase todas indecifráveis, uma nulidade, portanto. Mas sou plenamente capaz de narrar a posição que os cadernos ocupavam na prateleira do Angeloni da Beira-Mar de Florianópolis no momento em que eu os escolhi. Também ainda trago comigo o sentimento de encantamento quando, por exemplo, entrei na Encaixe pela primeira vez e vi os blocos de papel que já mostrei aqui. Material artesanal tem esta qualidade incrível de fincar raízes em nossa memória, ao menos na minha.

Quem acompanha o blog talvez se lembre que há muito venho falando no desejo de fazer um curso de encadernação. E talvez também se recorde que a primeira tentativa que fiz foi frustrada: inscrevi-me em um curso que foi cancelado por sucessivos meses. Desisti e, felizmente, consegui receber o estorno, não sem antes sofrer um pouquinho mais com os já aludidos problemas de comunicação com a entidade promotora.

Bem, procura daqui e dali encontrei uma alternativa. Escrevi à professora pedindo algumas informações e muito rapidamente recebi respostas satisfatórias para todas as questões. Resolvi, então, matricular-me em suas aulas. Na véspera da primeira aula, que aconteceria na última terça-feira, ela ligou para avisar que a aula tinha sido cancelada. Mas deu uma justificativa plausível e foi logo avisando qual era a data na qual previa a repetição do módulo. Na última sexta, logo cedo, disparou mensagem para as alunas confirmando a aula de domingo. Para quem vinha enfrentando problemas de comunicação, claro que a atitude da Paula só fez me agradar.

Ontem fiz a primeira de seis aulas. Paula é simpática e atenciosa. A aula, que dura quatro horas, transcorre em um clima gostoso e você nem sente o tempo passar. E o trabalho que fizemos, idêntico ao da foto que tirei lá do site da Paula, ficou bem bacana. Agora só falta praticar. Não vejo a hora.

sábado, 22 de maio de 2010

Pendura aí!

Esta semana as garotas do Superzíper publicaram um post sobre o xodó por um cabideiro calceiro. Hoje eu sou plenamente capaz de compreender este sentimento, pois carrego comigo alguns exemplares subtraídos dos armários familiares. Eles têm um que de memória familiar, outro de "já não se faz mais um cabide calceiro como antigamente" e estas outras coisas todas que associamos a objetos que nos acompanham ao longo do tempo.

Fora as lembranças e o valor de uso - que, convenhamos, é algo que só aprendemos a notar com o passar dos anos - quem é mais ousado e se dispõe a usar o objeto para novas funções, pode lançar mão do tal cabideiro calceiro para expor gravuras. É quase um bombril o bichinho... Mil e uma utilidades!

Por coincidência, nas andanças pela internet acabei encontrando uma loja que comercializa cabides que também se alinham a esta proposta de serem usados como adereços ou suporte para exibição de invencionices e quetais. Fiquei tão encantada com o cabideiro com coração - e olha que eu não sou nada fã de corações! - que fui atrás do fabricante: Ackfeldwire.

Quase tive um troço quando vi o cabide com a máquina de costura! Achei muito meigo. Também achei simpáticos outros modelos e fiquei pensando que no lugar dos convencionais penduradores de panos de prato ou mesmo das toalhas de lavabo, alguns dos cabideiros acima poderiam dar o ar de sua graça aqui em casa. Quem sabe alguém se anima e produz coisas simillares por aqui, não? Registre-se a demanda.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Matrioskas, sempre.

Não é de encher os olhos este móvel cheio de gavetinhas
e estas matrioskas lindas?

Imagem: Nähkitz

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Dias pesados


Outra semaninha difícil esta que passou. Aconteceram coisas ótimas, é bem verdade. A primeira delas é que conclui a primeira versão do terceiro capítulo da tese e isto, caros leitores, é coisa para se comemorar. O capítulo não está "redondo", mas estou satisfeita com o fato de ter conseguido organizar algumas ideias importantes.

A segunda coisa - linda! linda! - é que maridão, ao revisar meu texto, considerou-o muito bom. E deu-me rosas de presente. Um mimo e tanto.

Mas concluir um texto significa, também, estar à beira de um ataque de nervos. Afinal, foram horas quase incalculáveis escrevendo, revisando, lendo, relendo. Fiquei tão sem ânimo depois de despachar o texto por email que nem mesmo pus em prática os planos de costura que eu tinha.

Como se não bastasse isso, ontem participei da primeira fase de um concurso público, concorrendo a uma vaga para professor de ensino médio em uma instituição federal. Eu e mais outras trinta e nove pessoas, ou quase isto. Prova objetiva, cheia de questões toscas porque, por detrás do verniz sociológico - ah, sim, a vaga é para Sociologia - há sempre um posicionamento militante, uma linguagem de denúncia de problemas sociais, um convite ao engajamento político. Simplesmente odeio esta vulgarização da Sociologia como "a" disciplina que faz pensar, a que tem por missão ensinar os alunos a serem críticos. Isto sem falar nos problemas de abordagem de alguns fatos ou autores, ou da infantilização que sofre o concursante, submetido aos arbítrios dos coordenadores do concurso. Enfim...

Não vou dizer aqui que cai de gaiata neste concurso. Não é o primeiro, nem será o último, que tem estas características. Logo mais, alíás, estarei participando de outro. Mas é sempre deprimente constatar a existência de um verdadeiro abismo entre as expectativas a respeito de sua profissão, a sua formação e as condições para o exercício de sua ocupação.

Por conta deste lerê-lerê não consegui aproveitar nadica de nada daquilo que eu chamo de "circuito off" (leia-se: os lugares menos badalados mas nem por isso menos interessantes, mantendo minha opção por ir na contramão) da Virada Cultural . E também estou em frangalhos, deixando escorrer lágrimas à toa. Acabo de chorar ao ler, por exemplo, que o galpão que abrigava uma das maiores (ou mesmo a maior) coleção de serpentes em álcool e formol e que foi destruído por um incêndio neste final de semana - curioso que mesmo morando tão perto nós aqui em casa não ouvimos nadica de nada - não tinha sistema de detecção de fumaça e combate automático a incêndio. Pode parecer piegas, mas fiquei mesmo consternada.

Bueno, só me resta descansar um pouco para recuperar energia e equilíbrio. E torcer para que a semana seja produtiva. Para todos nós.

terça-feira, 11 de maio de 2010

domingo, 9 de maio de 2010

Lista de desejos: dois em um, ops, três em um

Bonecas fofas (matrioska, babuska, mamuschka) e chocolate em rama. Daqui.
Morri!!!!


Update: Olha isso! Latinha, bonecas e cerejas cobertas por chocolate.

Mamãe


Hoje é o dia daquela que ainda acha que eu visto calças manequim 42.



Este era o número que eu usava
antes de entrar na faculdade,
a long time ago...


Imagem: We heart it.

sábado, 8 de maio de 2010

Sobre tecidos, lojas e modas - Parte II

Talvez este post só diga mesmo respeito ao meu encantamento e minhas descobertas recentes a respeito do universo dos aviamentos e tecidos. Tenho achado tudo bem mais complicado do que as minhas experiências de infância me faziam crer. Ontem enchi-me de ânimo para ir até à 25 de março conferir de perto os mitos e as verdades sobre os preços mais baixos nos itens que darão vida aos meus projetos crafts. Abaixo, alguns apontamentos, para que não caiam no esquecimento.

1. Aviamentos (galões, viés e passamanaria)
No quesito variedade, as lojas de armarinhos e aviamentos da 25 de março tem pouco adicional a oferecer em relação às lojas on-line (como a Aslan, por exemplo). Pouco, mas tem. E os preços praticados são muito próximos, diferença de centavos a favor das lojas físicas.

2. Fitas de cetim
As lojas físicas ganham pontos quando se trata da venda de fitas de cetim monocolores. Por trabalharem com diferentes fornecedores, é possível encontrar em uma mesma loja peças similares a preços muito distintos. O mesmo não ocorre tão facilmente nas lojas on-line. Os preços também são ligeiramente mais convidativos, por conta da variedade encontrada. No caso das fitas estampadas, o que diferencia os dois tipos de lojas é somente o preço, novamente mais baixo nas lojas físicas.

3. Elásticos
As lojas físicas só levam vantagem porque comercializam pequenas unidades, e olha lá. Os preços são idênticos.

4. Linhas de costura e bordado
Diferença de centavos a favor das lojas físicas.

5. Tecidos
Aqui começam a aparecer as grandes diferenças. Em uma loja encontrei tricoline nacional a R$ 6,98 e R$ 8,98, o metro. Estes mesmos tecidos chegam a ser vendidos a R$ 11,00, R$ 13,99, a R$ 17,50 e até mesmo a R$ 20,00 nas lojas on-line! Em contrapartida, lojas como a Niazi Chohfi, por exemplo, não vendem menos de um metro de tecido. Algumas lojas vendem retalhinhos, mas, neste caso, as comparações de preço se tornam mais difíceis porque cada loja adota um padrão diferente de corte (50 x 50; 30 x 70, 25 x 75 e mais meia dúzia de combinações possíveis).

A variedade de tecidos na loja física também deixou a desejar já que, por razões de estoque, não se encontram ali todas as variações possíveis de uma mesma estampa, por exemplo. Mas para os meus atuais projetos, tinha muito mais do que eu precisava!

Em resumo: a velha 25 oferece preços, em geral, mais baixos em todos os itens. Mas há que se pensar duas vezes antes de entrar em desespero por estar longe da mais famosa rua de comércio popular, pois muita coisa pode mesmo ser resolvida a um clique de distância, em tempo mínimo. Ontem foi plenamente possível - e até mesmo desejável - perder horas com o deslocamento, mas não é sempre que é viável fazer isso.

O preço dos tecidos, no entanto, certamente vai me deixar mais inclinada a voltar lá mais vezes. E poder voltar para casa com uma bandeja de maravilhosos doces sírios também conta a favor da 25, né?

Imagens: Retrosaria e Stock.Schng

Você precisa aprender a rir...

Semaninha difícil esta. Depois do episódio da companhia aérea - que até agora não providenciou o estorno e continua afirmando que sou eu quem deve saldar a reserva - e da novela em torno do aparentemente simples protocolo de um pedido de prorrogação de prazo, mais uma coisa para me deixar p... da vida.

Em março, decidida a apostar nas manualidades, inscrevi-me em um curso de papelaria artesanal. Já os primeiros contatos com a instituição promotora do curso foram dificeis, como relatei aqui. Mas estava com uma vontade tão grande de fazer o curso que relevei. Pois é, deu no que deu...

Há um aviso em letras vermelhas que se o curso não tiver um número mínimo de inscritos, nada feito. Ok. Pelo menos em termos. Custos são custos e para que o curso possa valer a pena para todos os envolvidos, tem que ser assim. O problema é que o aluno não tem a mais remota ideia de que número mínimo é este - ponto negativo para o quesito transparência na gestão, né? E se ter um número X de alunos é algo tão vital assim, bueno, então tratem de divulgar os cursos, oras! Enfim...

Mas nem foram estas questões que eu classifico de má adminstração que me incomodaram, de fato. O maior problema diz respeito mesmo à falta de atenção naquilo que me parece ser a alma do negócio: a comunicação com os interessados. Todos os meses, desde março, sou eu quem escreve à instituição para saber se o curso vai ou não rolar. E a resposta chegou sempre com atraso, sem muitas desculpas ou qualquer outra informação sobre quais poderiam ser meus procedimentos diante do cancelamento do curso. Nada de perguntar se eu ainda estava disposta a esperar pelo mês seguinte, ou de propor uma alternativa ao curso escolhido, ou ainda de perguntar meus dados bancários para a devolução da taxa de inscrição paga antecipadamente, como eles exigem. Lamentável.

Semaninha difícil esta. Será que os conselhos do Lippy serão de alguma ajuda?

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Teste de paciência

O que é pior?

A) Saber da notícia da greve dos funcionários da USP pelo jornal, já que faz dias que você não põe os pés na universidade e não sabia dos rumores da paralização?

B) Saber da notícia da greve dos funcionários da USP pelo jornal, justamente na véspera da data em que você iria protocolar seu pedido de prorrogação de prazo para entrega da tese?

C) Acordar com o barulho emitido pelo carro de som do sindicato dos funcionários da USP, que não contente em bradar no campus que "os funcionários não se curvaram ao reitor" - como disse meu marido, que coisa mais sexual, não? - insiste em dar um rolê no meu bairro para conclamar os companheiros à luta?

D) Acreditar no conversê via internet que, apesar da greve, os funcionários estariam trabalhando normalmente - curiosamente nos demais departamentos isso ocorre - e daí seguir para a Universidade e ficar por quase duas horas à espera, em vão, de que alguém aparecesse, abrisse a portinhola e protocolasse o tal pedido?

E) Escrever para a coordenação da Pós-graduação pedindo orientações - afinal, é para esta instância que o pedido deve ser dirigido, não para a secretária, que é quem meramente recebe e encaminha os processos - e receber uma mensagem dizendo que a única coisa que eu poderei fazer é insistir na tentativa de me comunicar com a secretária?

terça-feira, 4 de maio de 2010

0800

Contexto: ontem comprei uma passagem aérea para ir à Curitiba no final do mês e hoje eu descubri que a companhia aérea estava fazendo uma promoção. Então corri lá no site da empresa para trocar minha passagem e obter o desconto.

Abro minha conta, clico na reserva e tudo segue nos conformes. Tive direito a um estorno de vinte reais e preferi que ele fosse creditado na conta do programa de fidelidade. Tudo ok. Até que, de repente, minha reserva some da tela.

Vasculha daqui e dali e eis que encontro minha reserva. Ufa! Mas quando tento checar os dados, brota um enorme pop up na tela dizendo que eu deveria entrar em contato com a empresa aérea para saldar a reserva.

- Peraí, moço. A compra já foi quitada, por meio de débito automático, ontem. E quem tem direito a saldo aqui sou eu - foi o que eu pensei.

Espreito lá no canto superior direito o link "Fale com a empresa". Clico no botão indicado e encontro à disposição quatro possibilidades de contato: A) contato por formulário; B) contato por telefone; C) chat online; D) atendimento para deficientes auditivos.

Como tinha passado a tarde, literalmente, finalizando o relatório de prestação de contas de minha bolsa - sim, acabou-se o que era doce! - preencher mais um formulário estava fora de cogitação. Fora a espera. Contato por telefone não é das coisas que eu mais goste de fazer no mundo. Opções A e B eliminadas, portanto. Opção D, idem. Sobrou-me a C.

Abro o chat, tento explicar o sucedido mas a moça que me atende somente diz que está tudo certo. Quando insisto e pergunto qual deve ser o procedimento para localizar minha reserva, eis que ocorre então o diálogo abaixo:

- Eva, neste caso sugiro que entre em contato com nosso SAC para verificar o motivo.
- Perdão, mas o atendimento online não é a mesma coisa que o SAC?
- Não.

E fez-se silêncio. Ou ausência de toques, o que dá na mesma.

Alguém aí pode me explicar por que raios uma empresa cria quatro canais de atendimento se o único que vale é o 0800?

sábado, 1 de maio de 2010

Bordando


Dos quase quarenta seguidores públicos deste blog, só conheço pessoalmente uma pessoa. Talvez isto se explique pelo fato de que só muito recentemente passei a divulgar o endereço do Matutando para amigos mais próximos. Mas este contigente de "desconhecidos" também não deixa de revelar o quanto somos capazes de estabelecer conexões identificando afinidades, independentemente das relações face-a-face. Incrível, não?

Destes seguidores houve quem chegasse e fosse logo se apresentando. E depois passasse a deixar recados sistematicamente. Outros acompanham-me em silêncio, desde sempre. Antes que alguém considere isso uma reclamação, aviso que eu mesma, sem entender muito bem a razão, alterno meu comportamento virtual, ora deixando recados, ora acompanhando as postagens pelo Reader sem maior publicidade.

Pois bem... Outro dia, seguindo a indicação da Tânia, cheguei ao Bordado Inglês. O post que chamou a atenção da Tânia, e daí a minha própria atenção, intitulava-se Por uma escrita menos emocionada. Achei o texto lindo e pertinente. Na empolgação, fui logo clicando a caixinha "tornar-se um seguidor" e, sem me dar conta, naquele momento eu passava a ser centésima seguidora do Bordado Inglês. Sem deixar recados nem nada. Deixei para comentar o post mais tarde, sabe-se lá muito bem quando...

Andréia adiantou-se e estabeleceu contato. Não deixou passar a ocasião do centésimo seguidor e, perpicaz, percebeu que temos uma experiência em comum: atravessamos o árduo período da escrita de uma tese de doutorado. Escreveu-me propondo redigir um texto relatando minha experiência e eu, de pronto, topei o desafio. Mesmo não sendo dada a acreditar em conspirações cósmicas, achei incrível a coincidência e o convite não poderia, portanto, deixar de ser aceito.

Então hoje eu tenho a honra de estar .

Obrigada, Andréia, pela generosidade. E obrigada, caros seguidores, anônimos ou não, pela companhia.

Ah! E antes que me esqueça, como a própria Andréia escreveu, o Bordado Inglês
[...] não pretende ensinar ninguém a bordar. Eu não sei bordar. Mas gosto da metáfora do bordado, do trabalho manual que produz um tecido - a tapeçaria, o tal texto de que fala Roland Barthes em O Prazer do Texto. É uma forma de dizer que estamos ali, ponto a ponto, tentando construir alguma coisa. Vamos ver no que é que vai dar.