Seguramente não sou a única pessoa a chegar ao final do semestre sentindo que o tempo passou depressa demais e que, infelizmente, muitos projetos desenhados na virada do ano - vai me dizer que você não os faz? - ainda não sairam do papel.
Então melhor combinar que este assunto não deve render mais lamúrias e tratar de registrar aqui a sua contraface, isto é, os momentos em que o tempo passou devagar, emoldurando experiências prazerosas.
Começando por uma das últimas experiências. Maridão e eu fomos há algumas semanas ver a exposição A arte mecânica do movimento. Cerca de dois terços da exposição é dedicada às caixas de música e à evolução destes engenhosos mecanismos. Dificil não se deixar encantar por aquele som mágico e com a beleza dos entes moventes que adornam as caixas (bailarinas, carosséis, presépios...). O restante da exposição apresenta obras de arte contemporâneas que, por assim dizer, seguem os princípios da mecânica que foram utilizados nas caixas de música. Ser guiado pelas competentes mãos dos monitores é indispensável para o pleno entendimento da exposição, vale lembrar. Em cartaz aqui em Sampa até o final deste mês.
Outra experiência bacana foi a ter ido - finalmente! - à Fundação Maria Luisa e Oscar Americano. A casa modernista é ladeada por um amplo parque (75 mil m2!) que te faz esquecer que você está em São Paulo. Depois de caminhar bucolicamente pelo parque, é irresistível provar os quitutes servidos em um charmoso salão de chá. A entrada na fundação não é gratuita, exceto na primeira terça-feira do mês (nos demais dias o ingresso custa R$ 10,00) e o chá da tarde também barato não é (mas serve um suco de pera com limão que é imperdível), porém ambas as experiências valem cada centavo. E cá entre nós, prefiro a calmaria do parque e o aconchego da bebida quente a uma cerveja em um bar barulhento. E tenho dito.
A terceira das experiências a relatar aqui é o café da manhã servido em um lugar chamado Julice Boulangère. Os pães, carro chefe da casa, são muito gostosos, mas o que ganhou mesmo o meu coração foi o bolo de chocolate com gengibre (aliás, acho que logo mais vou tentar fazer um aqui em casa, desconfio que bastará ralar gengibre fresco e acrescentar àquela receita divina de bolo vegano e pronto: gostosura na certa). O lugar é bem bonitinho e a única coisa que me descontentou - mas que nem chega a ser um problema do lugar - foi o atendimento "excessivo". Maridão e eu fomos abordados por quatro pessoas diferentes em menos de vinte minutos para saber se estávamos satisfeitos. Ok, o lugar estava cheio, a casa abriu recentemente e eles querem se certificar de que tudo está a contento. Entendo. Mas como cliente eu quero mais é tomar meu café com tranquilidade, certo?
Por fim, outro passeio, desta vez no Parque Villa Lobos. A demora para ir conhecer este lugar é que mais me deixa com vergonha, pois o parque é muito próximo de minha casa (ainda que seja necessário tomar dois ônibus para me deslocar até lá) e desde que nos mudamos para o Butantã nunca tinhamos ido lá. Aproveitando a trégua da chuva e do frio - hoje fez um dia lindamente ensolarado e a temperatura voltou a namorar a casa dos 20º, lá pelo meio-dia - fomos caminhar no parque. Delicia! Há um orquidário que merece uma visita, mesmo que nesta época do ano não esteja repleto de flores. E há um espaço chamado Ouvillas, com espreguiçadeiras confortáveis que te permitem mui comodamente acompanhar, seguidamente, a execução de músicas do compositor que empresta nome ao parque. Também há um "espaço canino", onde é possivel levar seu bichano para praticar agility e um anfiteatro que recebe grupos musicais os mais diversos todos os finais de semana. Lugar super alto astral, que recebe familias com crianças de colo, adolescentes com patins, praticantes de diferentes esportes individuais e coletivos, casais de namorados de todas as idades e gente esperta que vai fazer piquenique por lá.
E por ai, como segue a vida? Como os caros leitores deste bloguito têm driblado o calendário e encontrado tempo para diversão?

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