![]() |
| Foto: divulgação do restaurante do Theatro Municipal |
Cheguei na cidade poucos dias antes do Natal de 2004, vinda de uma experiência não muito positiva de residir em Campinas, para onde havia me mudado na metade do ano, indo ao encontro de maridão que lá começava a fazer seu doutorado. A vida em Campinas havia sido chata, realmente entediante, e isto tinha muito mais a ver com a minha condição de vida (estava desempregada, sem amigos, havia acabado de reprovar na entrevista para o doutorado no IFCS/UFRJ) que propriamente com a cidade - ainda que a cidade, a bem verdade, também não colaborasse muito para tornar aquela experiência memorável. Transporte público ruim, poucas opções de lazer, preços desanimadores, atendimento dos comerciantes um tanto quanto lamentável e um calor insuportável para uma curitibana resultaram em uma combinação difícil.
São Paulo se apresentava, à época, uma ótima alternativa à Campinas e para cá viemos, maridão, Monalisa e eu. Foi, definitivamente, uma decisão acertada sob vários aspectos mas, sob outro ângulo, foi quase que trocar seis por meia dúzia. Se a vida cultural de São Paulo é infinitamente mais rica, as demais coisas que me fizeram reclamar da vida em Campinas também me fizeram torcer o nariz para a metrópole.
Praticamente todos os comentários negativos feitos sobre a vida nestas duas cidades são relativizáveis, claro, sobretudo quando a vida segue seu rumo sem maiores sobressaltos. Afinal, sempre é possível encontrar ou mesmo construir pequenos refúgios nos quais a gente se sente "em casa" e não foi nada difícil, especialmente com a rotina do doutorado, experimentar uma São Paulo um tanto diferente daquela que a gente vê pelas imagens transmitidas pela televisão. Mas admito que nestes últimos tempos a minha tolerância à pressa e a à indiferença que faz com que as pessoas se acotovelem nas ruas, furem filas nos supermecados e queiram levar vantagem em tudo diminuiu consideravelmente (mesmo sabendo que isso não é "privilégio" desta cidade); daí que aceitar o caos produzido pelas enchentes ou pelo excesso de poluição, a demora no trânsito, o absurdo do preço do pé de alface e a falta de cortesia ganham outras proporções. Diante disso, é dfícil não sucumbir à tentação de achar que em uma cidade planejada, super arborizada, de cerca de 350 mil habitantes a qualidade de vida vai ser muito superior, bem como à de que a sociabilidade interiorana tem um charme irresistível.
Mas a euforia, como disse, não chega sem uma certa melancolia. Aqui em São Paulo eu fiz amigos queridos. Descobri novos temperos. Tive experiências acadêmicas intensas. Vi exposições incríveis. Assisti a shows de cantores dos quais gosto imensamente. Comprei meu primeiro apartamento. Acompanhei o desenvolvimento de um inexplicável gosto por begônias por parte da Monalisa. Fiz aulas de encadernação artesanal e redescobri o mundo craft. Experimentei pratos divinos. Vivenciei o luto. Acompanhei uma centena de vezes o por-do-sol da janela de meu escritório. Recebi um número de visitas provavelmente superior àquele de todo o tempo em que não morei em São Paulo. [suspiro]
Enfim, qualquer dia desses é provável que eu volte a escrever sobre esta saudade que eu já sinto de vários lugares de São Paulo. Um deles, é o Theatro Municipal de São Paulo. Majestoso. Recentemente abriram um restaurante e foi lá que eu maridão e eu fomos comemorar a notícia de minha aprovação, justamente para dar início à despedida de São Paulo. Lugar lindo, comida ótima. Definitivamente um bom lugar para marcar o início do fim de uma história.

Poxa, Evita, eu chegando e você saindo? Que pena. Achei que finalmente iria rolar aquele café na padaria de que falamos há algum tempo atrás e nunca chegamos a concretizar. Pelo visto, agora, só se eu der um pulinho a Maringá!
ResponderExcluirMas que bom pra você essa oportunidade. Tomara que goste da universidade e da cidade. Beijão
Tânia, acho que rola, sim, aquele café. Minha convocação ainda não saiu, tampouco há previsão para tal. Já estou até imaginando passear contigo pelos sebos próximos à padaria, além de torcer para que haja uma exposição bacana ali no Tomie Othake, que fica ali pertinho.
ExcluirAchei a cidade de Maringá muito agradável, sabe? Avenidas largas, super arborizadas, cidade plana. Um ótimo convite para fazer tudo a pé, coisa que eu aprecio muitíssimo. Acho que vai ser uma experiência pessoal interessante viver lá e deixar a agitação de São Paulo um pouco de lado.
Aliás, seja bem-vinda às terras paulistanas, viu?
Parabéns pela aprovação! Agora você vai matutar em Maringá, onde vivem meu irmão e cunhada... Felicidades...
ExcluirObrigada, Heloisa. Quem sabe a gente ainda não vai ter a oportunidade de se conhecer lá no norte do Paraná?
ExcluirEita! Você tá indo embooooraaa! ;( Fiz recentemente aí o concurso para o INSS e farei outros. Esperava te conhecer um dia, moça! De qualquer forma, parabéns!!! Espero que tudo dê muito certo! Xeru...
ResponderExcluir;)
Marivone, nosso encontro ainda há de acontecer, menina!
Excluir