Das minhas 101 metas para realizar em 1001 dias, as relativas aos cuidados com a saúde são, definitivamente, as mais difíceis de cumprir. Até tive um impulso de agendar as consultas, compareci a algumas delas mas, na hora de marcar os exames, empaquei. Não há (muitas) explicações lógicas para isso.
Ao menos voltei a fazer acupuntura e isso significa, de algum modo, conceder à saúde um certo cuidado. Acho bárbaro como a medicina tradicional chinesa associa coisas impensáveis desde a lógica da medicina ocidental e como questões físicas e emocionais são integradas em um mesmo sistema de tratamento. Quatro sessões depois, as alergias que estavam me enlouquecendo diminuíram consideravalmente, as mandíbulas já não estalam com tanta frequência e, no geral, estou mais concentrada e um pouco mais tranquila em relação aos desafios profissionais que tenho que encarar em um futuro próximo.
Para aproveitar o tempo de espera da consulta tenho carregado comigo textos que preciso ler. E as experiências recentes me fizeram lembrar como é raro encontrar espaços de leitura nesta cidade, o que é lamentável. Os cafés, que poderiam ser grandes amigos dos leitores, costumam ser ambientes pouco aprazíveis para leitura: os vizinhos de mesa, não raramente, conversam muito animadamente, fora o som ambiente que costuma ser alto; tudo isso somado e pronto, lá se vai a chance de manter a concentração para ler um texto técnico.
Às vezes você acha que está com sorte e encontra um ambiente gostosinho e silencioso, até que alguém resolve se sentar justamente atrás de você para conversar, mesmo quando todas as demais cadeiras e sofás da casa estão vazias. Não, não é de propósito, claro. Mas essa atitude é muito reveladora da invisibilidade do leitor em nossa sociedade, não? Outro dia, enquanto aguardava o horário do voo, do lado externo do saguão de embarque, em cerca de uma hora minha leitura foi interrompida por três vezes, em virtude da conversa de pessoas que decidiram parar para conversar justamente a alguns centímetros de distância de minha cadeira, mesmo havendo muito, muito mais espaço para além dela.
Esta relação com o espaço alheio é mesmo bizarra, sobretudo aqui em São Paulo. Vai, me diz aí por qual razão o sujeito/a sujeita tem que praticamente te encoxar na fila do supermercado? Tem certeza de que não dá para esperar que os produtos da minha cesta de compras sejam todos registrados pela caixa para então começar a colocar os seus produtos na esteira? Alguém mais passa por isso além de mim?
Mas voltando à questão da leitura em espaços públicos. Na região próxima ao centro de acupuntura que estou frequentando, ali na Liberdade, não há praças ou outros espaços nos quais dê para sentar e ler algumas linhas (aliás, além de ser difícil encontrar praças, às vezes é ainda mais raro encontrar aqui em São Paulo praças que tenham bancos; a maior parte foi estrategicamente retirada para evitar que mendigos por ali se instalem). Tem o Centro Cultural São Paulo, no meio do caminho, é verdade, mas a possibilidade de ler meu livrinho com certa tranquilidade me custaria uma passagem de metrô, o que multiplicado ao longo das semanas de tratamento corresponderia ao valor de um novo livro.
Mas como a gente não desiste nunca, semana que vem tem mais leitura a caminho de mais uma sessão de agulhadas, estejam seguros disso. Boa Páscoa!

Aqui a gente tem muita praça, mas o sol e o calor dificultam muito o ato de sentar e ler. Eu sou do tipo que não gosta muito de sair de casa e confesso que isso atrapalha muito a conclusão de minhas obrigações (Telefone toca, interfone toca, internet chama...), mas, não tem jeito, é aqui que faço minhas coisas!
ResponderExcluirSobre médicos, tou com você nessa: duas requisições de exames em minha bolsa e nada de fazer...
;(
Mas me prometi que dessa semana não passa!